terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Eu não sei se te disse

Hoje eu olhei algumas fotos tuas. A principio foi por acaso, depois por querer. Eu não sei se te disse, mas não é sem dor nenhuma que te deixo. Ainda ecoa em mim as raras gargalhadas que ouvi você dar. Ainda sorrio ao lembrar de algumas coisas só nossas, como o meu riso frouxo interrompendo nosso beijo e sua expressão de "qual é a graça?". 
Talvez eu deva alimentar, ou não, esse amor longe de você. Me parece que perto ele corre o risco de se transformar em algo muito distante do amor.

Eu não te disse, mas eu vou sentir tua falta. Falta do toque, que mesmo esporádico sempre me deixava entregue. 
Eu olhei, sim, tuas fotos, mas não gosto de todas elas. Não te vejo como um príncipe encantado.
Não te enxergo de maneira apaixonada e cega. Não te considero perfeito, na verdade, está bem longe disso. Mas eu te amo, e com meu amor vou continuar tocando tuas fotos, como se estivesse te tocando. Nesse toque relacionado à ausência, terá em minha mente tua presença.


Espero que tenha ficado alguma coisa minha aí dentro, ou que não tenha ficado nada. Não sei o que é melhor para você e o que você quer levar. No entanto, não me doe o ego saber que posso ser esquecida. 
Não me doe o ego saber que você pode não me levar em si. Não me doe à certeza de que nossas memorias podem se perder no tempo, não sobrevivendo nada; não sobrando resquícios da nossa história.
Não me doe porque eu transbordo por mim mesma, sem ser necessário algum rio desaguar em mim. Eu transbordo como a maré na escuridão da noite, e eu transbordei até as minhas reservas por você. 

Eu não sei se te disse, mas ainda te amo.

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